24 abril 2017

O ponto

Chegamos ao ponto, minha vez de avisar que é aqui que eu desço. Essas coisas estranhas que nos fazem de moradia sem pedir permissão, me fez ter alucinações, pois só agora posso ver que você já desceu a muito tempo. Não, não era você ali do outro lado sorrindo para mim, eram apenas imagens cinematográficas que em movimento representavam as lembranças mais sutis de você. Eles nunca mentiram ao dizer que a verdade dói... dói mesmo. Minha vontade era voltar no tempo, e reviver tudo de novo. Meu maior desejo era voltar a acreditar que sim, que tínhamos tudo para dar certo. Vai ver tínhamos mesmo, mas parece que não dessa vez. O jeito é seguir, o jeito é seguir... seguir, é o jeito. Eu não queria seguir sem ti. Mas devo seguir sem ti. Dessa vez não vou ficar no ponto, vou a pé, sereno, com calma, sozinha. De pontos já bastam os fins. 

24 fevereiro 2017

O que mais dói

 O que mais dói, não é ouvir o celular vibrar sobre os móveis e correr até ele esperando ver uma mensagem tua, mesmo não sendo pela décima oitava vez.
 O que mais dói, não é deixar acender as lembranças de nossas conversas divertidas e um tanto provocadoras.
 O que mais dói, sem dúvidas, não é falta que sinto em ouvir tua voz mesmo desafinada, ou sonolenta.
O que mais dói, não é passar minha madrugada sem te ter como entretenimento, como forma de me render um pouco para minhas vontades.
O que mais dói, não é me pegar pensado em você e em tudo o que acabou, nas horas vagas e não vagas, do dia ou da noite.
 O que mais dói, sem sombras de dúvidas, é saber que em você... não dói nada.

20 janeiro 2017

Lá estava ela

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     Seus pés arrastavam seu corpo frágil e magro pela casa, seus dedos de lápis envolviam-se nos móveis para manter-se de pé mesmo que com os ombros pendidos. Lá estava ela, vagando pelos quartos vazios, empoeirados com lembranças do passado. Com seus cabelos brancos que se recusavam a permanecerem alinhados num coque mal feito, junto a um vestido já velho de tanto usado. Mas já não importava mais, sua aparência já não importava mais, pois nada adiantaria demorar-se com banhos perfumados e sapatos caros se ali não houvesse algo além da solidão. Aquela mulher cuja os olhos investigavam as paredes, os tapetes, as lampadas dos cômodos desabitados... já não se importa. Mas lá estava ela. Não sabia o motivo de permanecer ali, sozinha, parecia lhe faltar algo mas, o quê? Aquele corpo antigo e desorientado vagava dia e noite por uma casa vazia, a procura de algo que sabe se lá o que era. As dúvidas eram claras no olhar daquela pobre velha, não tinha nada, nem ninguém. Era tanta solidão que um dia cansou-se de dar passos. Sentou-se num sofá pulveroso como quem esperava a morte, sem animo ou qualquer tipo de expressão emocional, apenas se permitiu virar pó, e cobrir aqueles móveis tantos vistos e memorizados, suas únicas companhias.
    Lá estava ela, em frente ao espelho encarando seus próprios olhos já transbordados, descobrindo o reflexo do seu interior.


30 novembro 2016

Ser feliz é...

Ser feliz é cair no sono
É acordar disposto
É cantar no chuveiro
É sorrir para o moço

Ser feliz é andar descalço
É ter algo pra sonhar
É se banhar de chuva
Rio, mar e luar

Ser feliz é dançar!
Ser feliz é não ter medo de dançar
É conversa na madrugada
É assistir um bom filme em casa

Ser feliz é nadar de olhos abertos
É assistir as cores do céu
É viajar com musica boa no ar
É ter lembrança de infância pra contar

Ser feliz é aprender
É encontrar o "acerto" no erro
É ver o lado bom das coisas
É encarar a vida de forma leve

Ser feliz é rir do constrangimento que passou
É tentar controlar o riso
É ter crise de risos
É rir de qualquer coisa

Só é feliz quem sabe
Que a felicidade se encontra num instante
E que nem mesmo o tempo corriqueiro
É capaz de impedir a eternidade em segundos

27 outubro 2016

Armas e Amores

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      O amor é a arma e a cura 
                            A cura da arma é o amor
                                                   O amor arma e cura  
          A cura do amor arma

 -JG