27 janeiro 2018

Por alguns segundos eu até acredito

    E então você aparece, como quem só está sendo gentil comentando alguma foto minha da historia do Instagram. Por alguns segundos eu até acredito que você é realmente esse cara atencioso, que quer passar um tempo comigo jogando conversa fora e rindo a toa, assim mesmo, sem pretensão nenhuma de me deixar confusa, me dizendo coisas legais e sumindo no dia seguinte. Mas é só acontecer, é só você novamente me deixar sozinha pra eu lembrar o que me fez querer te esquecer, essa sensação esquisita que sinto, como quando você avista o ônibus vindo, mas o astigmatismo não te permite ver se é o seu, e você tem medo de acenar. É uma sensação de perda por algo que nunca pertenceu, e talvez seja esse o motivo da agonia, pois não faz sentido algum. Tudo bem, eu tenho minha parcela de culpa, mas não pelo tão temido "papel de trouxa que gosta de se iludir", não, afinal é você que aparece, é você que mesmo não tendo certeza sobre o que quer, aparece, e não só não se importa como tenta me confundir. A minha culpa está em te aceitar, em deixar você voltar, e por alguns segundos eu até acredito.

18 dezembro 2017

Sobre Sentir

Tem coisas na vida, que não sabemos exatamente por quê acontecem. Na verdade, até sabemos, mas negamos isso, pois preferimos o ar nebuloso do mistério. Nossa alma insiste em se aprofundar nos próprios mares de pensamentos e sentimentos, os quais só priorizam uma versão da historia, a da própria.
Tem coisas na vida, que não sabemos como esquecer. Na verdade, até sabemos, mas não queremos isso, pois preferimos reviver aquilo que já é conhecido. Nossa alma insiste em saborear o gosto doce das lembranças, e se arrepende quando sente a boca amarga ao fim. Reconhece o erro, mas aceita repeti-lo por acreditar que será a ultima vez a fazê-lo.
Pobre alma!

24 abril 2017

O ponto

Chegamos ao ponto, minha vez de avisar que é aqui que eu desço. Essas coisas estranhas que nos fazem de moradia sem pedir permissão, me fez ter alucinações, pois só agora posso ver que você já desceu a muito tempo. Não, não era você ali do outro lado sorrindo para mim, eram apenas imagens cinematográficas que em movimento representavam as lembranças mais sutis de você. Eles nunca mentiram ao dizer que a verdade dói... dói mesmo. Minha vontade era voltar no tempo, e reviver tudo de novo. Meu maior desejo era voltar a acreditar que sim, que tínhamos tudo para dar certo. Vai ver tínhamos mesmo, mas parece que não dessa vez. O jeito é seguir, o jeito é seguir... seguir, é o jeito. Eu não queria seguir sem ti. Mas devo seguir sem ti. Dessa vez não vou ficar no ponto, vou a pé, sereno, com calma, sozinha. De pontos já bastam os fins. 

24 fevereiro 2017

O que mais dói

 O que mais dói, não é ouvir o celular vibrar sobre os móveis e correr até ele esperando ver uma mensagem tua, mesmo não sendo pela décima oitava vez.
 O que mais dói, não é deixar acender as lembranças de nossas conversas divertidas e um tanto provocadoras.
 O que mais dói, sem dúvidas, não é falta que sinto em ouvir tua voz mesmo desafinada, ou sonolenta.
O que mais dói, não é passar minha madrugada sem te ter como entretenimento, como forma de me render um pouco para minhas vontades.
O que mais dói, não é me pegar pensado em você e em tudo o que acabou, nas horas vagas e não vagas, do dia ou da noite.
 O que mais dói, sem sombras de dúvidas, é saber que em você... não dói nada.